Assim é o brasileiro, povo que eu amo. Mal cagamos o peru de Natal, mal nos recuperamos da ressaca do Ano Novo e já estamos ansiosos pelo carnaval. Dois meses até lá. E o resto do ano vai ser uma enorme quarta-feira de cinzas, iluminado algumas vezes pelas luzes dos feriados prolongados.
Temos energia demais para celebrar. Tanto que se pudéssemos, celebraríamos o ano inteiro. Mas celebramos o quê?
Me parece que não existem tantos motivos assim para celebrar quando rezamos pra semana passar num piscar de olhos e já estarmos dentro de uma sexta à noite novamente, bebendo, rindo e dançando (só pra citar a diversão dos caretas).
Queremos loucamente as gargalhadas altas e alcoolizadas porque não aprendemos a dar um sorriso sério diante de um conflito profissional.
E vamos vivendo assim, achando normal ter a impressão de que a segunda-feira é o despertar preguiçoso de um sonho que durou dois dias e que vai voltar em breve, PELOAMORDEDEUS, chega logo sexta-feira.
Mas é mesmo essa vida que vamos escolher viver? Escolher – alguns pensarão – palavra que não se encaixa muito no contexto, porque aparentemente não há escolha. É a vida – alguns dirão – repetindo o clichê batido dos acomodados. Uma bela desculpa para continuarmos em um emprego de merda, fazendo coisas que dominamos mas abominamos e nos contentando em viver com plenitude apenas uma vez e meia por semana. Sim, uma vez e meia, afinal “domingo é chato porque é perto da segunda”, então não conta como um dia inteiro.
Somos brasileiros e não desistimos nunca. Mas será que estamos ao menos tentando? Somos um povo batalhador. Mas qual é a nossa luta? Somos felizes, mas que felicidade é essa que só dá as caras no fim de semana e que nos neutraliza por dois meses, logo os primeiros do ano? Tenho mais perguntas do que respostas. Mas pelo menos de uma coisa eu sei: nesse ano, quero me cercar de pessoas que não amaldiçoam os dias em que trabalham. Porque inconscientemente, essas pessoas amaldiçoam as próprias vidas.











Andei pensando nisso ultimamente. A gente passa o ano na expectativa por dezembro e, quando ele passa, fica um clima meio depressivo… Aí vem o carnaval, depois o trabalho e a expectativa por dezembro de novo. Tenho mesmo a impressão de que não existe o período entre ano novo e carnaval (nem comemoração, nem trabalho, nem nada!
Eu não tenho emprego. Mesmo assim entro na onda: organizei meu blog, preparei a festinha de aniversário de minha filha, terminei uns trabalhos e agora me sinto paralisada. E meu medidor é a quantidade de postagens que fiz de lá para cá (somando blog, facebook e twitter).
O meu problema está em usar as redes sociais como medidor. Eu estou fazendo um curso e aprendendo coisas novas, por isso não tenho produzido coisas a serem postadas. Como deixei no twitter: estou incubando. Quem sabe, depois do carnaval apareça o resultado desse período de incubação. Acho melhor pensar assim, não?
A propósito: não costumo amaldiçoar os dias em que trabalho, ao contrário, fico aborrecida quando não consigo fazer minhas coisas. Não tenho emprego, mas gosto de produzir. Depois que meu bebê nasceu é que minha produção caiu – mas eu continuo trabalhando, cuidando da casa, da fofa e de mim…
Enfim. Foi mais um desabafo. Não sei se moderam os comentários, mas, se quiserem, podem apagar. Um abraço! Bom trabalho a todos. E obrigada pelo texto que não me deixa sozinha.
Até mais!
Nique, adoramos o seu desabafo! Aliás, aposto que ele combina muito com a idéia da Nat sobre o post: PRODUZIR SEMPRE, até sorrisos em dias que nos dizem que não são dias para sorrir.
Você disse que tem um blog, mas que pena que você não deixou o link do seu blog para nós te visitarmos também, flor! D:
Nat, começo de Ano pra mim é sempre desesperador. Eu sempre alimento uma expectativa ABSURDAMENTE maravilhosa para o novo ano, mas aí eu vejo que ele está começando do mesmo jeito que o outro ano já estava. Infelizmente, há coisas que não dependem só de mim. Assim como a Nique, eu estou produzindo, estou me esforçando, quero ver novos frutos brotarem… Mas eu não movo o mundo. Estou desempregada, trabalho dando aulas particulares e mês de férias é um mês sem grana para mim, uma vez que as crianças também querem férias e as escolas começam só depois do Carnaval. Eu surto parada então começo a me mover, a produzir… Mas aí chega uma hora que me desespero por ver que estou produzindo SOZINHA. Ai, ai… Saí do meu último trabalho porque queria fazer o que eu gosto, mas fazer o que eu gosto implica várias outras dificuldades (falta de experiência da área, depender de outras pessoas para “n” coisas”, esperanças, desejos, expectativas…JESUS!)… Enfim, até o Carnaval eu só posso ficar desejando e orando para que esse novo ano comece me dando bons frutos, porque eu não me movo sozinha, ninguém se move!
Andressa, é verdade, rola mesmo essa expectativa e depois uma constatação de que está tudo igual. E esse pensamento de que sozinha não movo o mundo me ocorre muitas vezes também.
Meu blog é um espacinho para expor meus trabalhos. Quando começo a falar do que faço -sou artesã- todo mundo me diz para abrir uma loja ou montar um site – eu fui para o lado mais fácil e barato. Bom, se quiserem ver: opusn.wordpress.com
Um abraço para todos e que todos tenham um período bem produtivo até o carnaval, e depois dele também! Até mais!!
Puerra! Nunca pensei que fosse assinar embaixo e carimbar um post deste saite.
Way to go, moça! É isso aí! Quem não sabe tirar momentos extraordinários da chamada “semana útil” é o tipo da pessoa que só trabalha pelo dinheiro, ou não adquiriu autonomia suficiente para querer produzir (seja conhecimento ou riqueza) 24 horas por dia, 7 dias por semana. É a “mentalidade de funcionário público”.
Sempre mando no meu Facebook umas “porradas” na cara desse povo que só trabalha “pra pagar as contas”. Ganhe quanto ganhe (muito ou pouco), quem não tem paixão pelo que faz será sempre pobre, indigente.
Nique, eu compreendo totalmente o que você me diz. Passei muito tempo, como você, gestando mudanças que demoraram muito mais do que 9 meses pra nascer. Mas comigo, tem uma historinha bem peculiar. Já tinha passado do tempo de gestar, eu precisava me sentir inteira no que eu estava fazendo. Precisava abraçar uma causa, trabalhar com paixão. Porque só a paixão me motiva a enfrentar desafios. Eu estava acomodada, por um impulso mandei um e-mail para a empresa onde trabalho atualmente e desde então a minha vida mudou muito. Eu tinha um emprego, agora tenho uma causa. Agora eu olho ao meu redor e vejo tanta gente perdida, do mesmo jeito que eu estava, e fico com vontade de falar pra cada um: hey, acorda! Abrace uma causa. Pare de trabalhar por dinheiro e coloque a alma na sua produção. Produza o que te faz feliz. Faça uma revolução na sua vida. Não existe um caminho claro? E daí? As pessoas que mais tiveram sucesso (leia-se realização) são aquelas que foram aos poucos iluminando o próprio caminho! Vejo tanta gente reclamando da vida, do mesmo jeito que eu reclamava. E não fazendo nada pra mudar, do mesmo jeito que eu não fazia. Poxa, quanta reclamação eu vejo ao meu redor. Quanta preguiça de dar o primeiro passo e pegar as rédeas da própria vida. Quanta falta de objetividade! Chego a pensar que perdi um belo tempo na minha vida não tendo a mentalidade que tenho agora, mas logo rebato a mim mesma: nada é tempo perdido, o que importa é estar acordado, vivo, desperto, consciente pra, na hora de dormir, ter sonhos mais tranquilos e a certeza de que tudo o que está ao nosso alcance estamos fazendo. Cada um tem o seu tempo, por mim eu sairia chacoalhando todo mundo pelas ruas, dizendo: hey, faça alguma coisa! Mas não posso… por isso usei esse espaço, porque de repente pode tocar as pessoas certas, aquelas que só precisavam de um empurrãozinho… pretensão demais, pode ser. Mas não custa tentar, né?
Ah, você não tem um emprego. Mas tem uma profissão. Duvido que faça artesanato sem coração. Keep going, sucesso e amor no coração pra você!
Vontade de abraçar você, Natacha!!! (Eu ia dizer só “um abraço” mas isso às vezes aprece ponto final, né? Gostaria de abraçar mesmo.)